Descreva um lugar: Virginia Woolf edition

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Hoje fui atacada por uma crise de cansaço mental que é o que acontece quando você passa muito tempo estudando – os sintomas mais conhecidos são dor de cabeça, dificuldade de concentração, visão embaralhada, e mau humor. Daí para descansar um pouco as ideias, peguei um título qualquer na minha pilha de livros-para-ler-por-prazer-que-pelo-amor-de-Deus-não-incluam-as-palavras-História-do-Brasil-ou-diplomacia, e eis que, logo no primeiro parágrafo (er… ou quase), temos uma descrição perfeita de lugar (o primeiro desafio do 30 Days Writing Challenge):

As ondas quebrando pareciam a noite jogando a cabeça para trás e deixando, desesperadamente, cair a sua escuridão, e meditando e pranteando como se lamentasse a fatalidade que afogava a terra e extinguia suas luzes e de todos os navios e vilarejos nada deixava restar. A onde varre a praia; a noite pranteia o infortúnio humano; a beleza do mar consola; assim o vento pode ter respondido aos adormecidos, aos sonhadores que palmilhavam a areia perguntando: Por que nos embrulhar na beleza do mar, por que nos consolar com o lamento das ondas, quebrando, se, em verdade, tecemos essa roupa por puro terror, urdimos essa vestimenta para nada?

Virginia Woolf né gente. Ou seja, para simples mortais como eu escreverem assim, só morrendo e nascendo de novo.  

(imagem via all things europe)

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