Cenas de Nova York & outras viagens

Comecei a ler esse livro porque estava empacada na leitura de três livros gigantescos (“Da Monarquia à República”“To The Lighthouse” e “The Sisters” – embora “Lighthouse” nem seja tão gigantesco assim, eu recém tinha começado, mas enfim) e precisava fazer um tempinho antes de uma consulta. Ele é basicamente uma coletânea de pequenos textos soltos do Kerouac (“New York Scenes”, “Alone in a Mountaintop”, “The Vanishing American Hobo” e “Rimbaud”) vendidos a um preço módico – o original é R$5,00, mas eu consegui uma oferta e paguei apenas R$1,50, o que chega a ser ridículo para um livro do nível do Kerouac.

O livro começa com uma pequena apresentação do autor feita por ele mesmo. Aparentemente, parece que Kerouac está preenchendo uma ficha, o que é meio chato de ler, mas daí ele começa a pirar nas respostas – divagando, por exemplo, sobre a origem de seu sobrenome – e fica bem divertido. (Vocês sabiam que tem um antepassado nobre, o barão bretão Alexandre Louis Lebris de Kerouac?).

Cenas de Nova York” é realmente o que o título diz – pequenas descrições rápidas de instantes na cidade. Como era de se esperar em Kerouac, ele consegue lhe transportar para dentro daquilo que está narrando – na cena do bar, com a qual ele começa esse capítulo, você praticamente pode ver a fumaça do cigarro e sentir o cheiro da bebida. Além disso, é bem interessante para quem gosta do autor saber um pouco mais sobre ele, porque aqui ele descreve o que fazia em Nova York na época, chegando até mesmo a narrar o que seria sua noitada típica com os amigos.

newyork

Da Nova York “louca e desvairada”, o livro corta, quase como um filme, para a Cordilheira das Cascatas, onde Kerouac se candidata a um emprego como vigia de incêndios. Basicamente, ele se isola lá, no meio da natureza, por três meses, numa vibe Into The Wild. Para uma experiência transcendental, sugiro ler esse capítulo ao som de Bob Dylan (em sua fase mais folk).

O último texto do livro é sobre a extinção do vagabundo americano. Kerouac explica porque aquela figura andarilha comum em seus livros já não pode mais existir na sociedade americana do pós-guerra. O foco é o “vagabundo”, mas você não consegue deixar de notar a crítica ao “american way of life” que tomou conta dos Estados Unidos no pós-Guerra (pense em gramados perfeitos de subúrbio e coca-cola), que transformou esses andarilhos em simples mendigos, completamente marginalizados pela sociedade. Depois disso, temos um poema, “Rimbaud”, mas não vou comentar a respeito, porque não curto muito poesia e não quero falar bobagem.

Enfim, leia porque: faz uma ode à Nova York dos anos 40/50, mas não aquela NY mainstream, e sim aquela NY dos (para citar um famoso trecho de On The Road) “loucos, loucos pra viver, loucos para falar, loucos para serem salvas, desejosos de tudo ao mesmo tempo,que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira“. Faz uma ode à introspecção e ao auto-conhecimento, mas sem se desconectar da vida em sociedade. É curtinho, rápido e fácil de ler, e baratinho.

Evite se: você não curte longas descrições.

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