Garoto de Ouro – Abigail Tarttelin

Já vou avisando: esse livro não é para as pessoas de coração fraco. Depois de uma super micro introdução, só para te situar no tempo e espaço, a autora já começa a história com uma cena pesada de estupro. Como um tapa na cara do leitor que se deixou enganar pela capa fofinha e colorida (eu).

A boa notícia é que, se eu queria sair da minha zona de conforto literária, com esse livro definitivamente consegui.

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Esse é a capa da edição brasileira. A capa da edição americana também é bem fofinha.


Diz a sinopse:

A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo.

Menino de Ouro me lembrou MUITO Morte Súbita. As similaridades: ambos se passam em pequenas cidades da Inglaterra, mudam de ponto de vista a cada capítulo, os personagens tem uma “vida interna” muito diferente do que apresentam para o mundo. A principal diferença é Abigail, apesar de ter seus méritos próprios, não é nenhuma J.K. Rowling – o que, de certo modo, é até uma coisa boa, já que Menino de Ouro acaba sendo muito mais “palatável” do que Morte Súbita. É como se um fosse a versão simplificada do outro, sabe?

A segunda coisa sobre esse livro é que é muito difícil resenhá-lo, e se eu não tivesse lido ele para o Desafio do Tigre, certamente só iria recomendá-lo e não falar nada sobre ele. Aliás, acho que sei sorte em ter escolhido Menino de Ouro pela capa, sem ler orelha, resenha, nada, porque esse é um daqueles livros que, se fosse uma piscina, o melhor seria fechar os olhos e pular dentro, sem saber se a água ta limpa ou se você vai dar pé.

A terceira coisa é que esse livro é PESADO. Não a linguagem, que é superfluida e fácil de ler, e não cansa. Mas os temas que ele trata são complicados. E os personagens (todos, inclusive a Karen, a quem eu odiei um pouco em alguns momentos) são, sei lá, apegáveis, que você se apega e acaba passando junto por todas as sensações que eles estão passando, o que acaba sendo meio exaustivo, quando você finalmente consegue, por conta de alguma força maior, tirar a cabeça de dentro do livro e fechá-lo.

Por fim, para terminar essa resenha super longa onde eu falei, falei e não disse nada, é que, apesar de tudo, esse é um dos livros mais lindos que eu li nos últimos tempos. A Abigail Tarttelin trata de temas bem complexos de forma bem sensível, e eu não sei mais o que dizer a não ser que eu RECOMENDO RECOMENDO RECOMENDO!!


desafiodotigreMenino de Ouro foi lido para o Desafio Literário do Tigre. Neste mês, o desafio era escolher um livro pela capa. Além desse livro, vou tentar ler também It’s Kind of a Funny Story, do Ned Vizzini, mas não garanto que vou conseguir terminar a tempo.

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