Bonequinha de Luxo

Primeiro, preciso começar o post esclarecendo que sou fã da Audrey Hepburn há muitos anos e que Bonequinha de Luxo já era um dos meus filmes favoritos muito antes dessa bobagem toda com Gossip Girl. É sério – eu tinha My Fair Lady e Guerra e Paz em fita, e eram um dos filmes mais cotados aqui em casa, junto com Branca de Neve e a Bela Adormecida fui uma criança romântica, ok

Dito isso, preciso confessar que, apesar de ter visto Bonequinha de Luxo tantas vezes a ponto de saber as falas de cor, eu nunca tinha lido o livro do Capote que inspirou o filme. Então, quando vi que o desafio de março no Desafio Literário do Tigre era Filme ou Livro?, achei que era o momento.

Diz a sinopse:

Em Bonequinha de Luxo, novela de 1958, escrita com mão levíssima, o escritor norte-americano Truman Capote acompanha as estrepolias de Holly Golightly, a jovem que escapa da vida besta do interior para tentar a sorte na Nova York dos anos da Segunda Guerra. Moça de hábitos e horários nada ortodoxos, Holly põe em polvorosa uma galeria de personagens que vai de um mafioso preso a um escritor inédito, passando por um fotógrafo japonês, uma modelo gaga e uma cantora rouca – para não falar de um certo diplomata brasileiro. Tudo isso sem abandonar a visão de uma vida de luxo, calma e volúpia, se possível bem longe do Texas e bem perto da joalheria Tiffany’s. Celebrizada nas telas de cinema por Audrey Hepburn no filme homônimo de Blake Edwards, Holly é uma das criações mais felizes de Capote, mistura inextricável de ninfa diáfana e moça roçuda, tão viva e sedutora hoje como quase meio século atrás.

Olha, fico muito feliz que escolhi ler um livro sobre um filme que eu amo tanto! Um dos maiores baratos de ler Bonequinha de Luxo foi ir identificando quais falas foram para o filme, o que mudou e o que continuou a mesma coisa.

Tanto o livro quanto o filme possuem uma delicadeza única! A personalidade única da Holly, uma coisa que a gente já percebe no filme, ganha contornos mais complexos no livro, já que a gente tem acesso a mais informações sobre o passado dela, como, por exemplo, a respeito do fato dela ter conseguido uma grande chance em Hollywood, mas na última hora ter largado para ir morar em Nova York, simplesmente porque ela sempre quis morar lá. A relação dela com o Doc é um pouco mais creepy no livro do que no filme: ela é praticamente uma criança quando eles se casam, e fica bem claro que eles têm, desde o ínicio, uma relação bem marido e mulher, se é que vocês me entendem. A Holly do livro, aliás, só tem 19 anos, o que torna tudo um pouco mais triste – caso vocês não saibam, a Holly, tanto no livro quanto no filme, é uma prosti de luxo, embora essa informação sempre fique subentendida.

O livro é contado por um aspirante à escritor que vai morar no apartamento de cima do da Holly. No filme, o nome dele é Paul Varjak, e ele já tem um livro publicado, enquanto no livro o nome real dele nunca é mencionado (ele é chamado de Fred pela Holly, pela semelhança com o irmão dela), e ele só consegue, ao longo da história, uma pequena publicação em uma revista acadêmica. Outra diferença é que no filme ele é sustentado por uma mulher casada, que decora o apartamento dele e é chamada de 2-E – no livro, ele luta para se sustentar sozinho, tendo inclusive um emprego bem convencional (e chato). Ambos também se passam em épocas diferentes: o filme é ambientado nos anos 1960, enquanto o livro se passa durante a 2ª Guerra Mundial.

Pra mim, a grande diferença entre o livro e o filme é que o livro é uma história sobre a Holly, e no filme isso é transformado em uma história de amor. No conto do Capote, o narrador e a Holly nunca foram amantes, e muito menos acabam juntos. O que acontece com a Holly, aliás, é um mistério: a última vez que o narrador ouve falar dela, ela, que tinha vindo ao Brasil caçar um marido rico, está em Buenos Aires. O livro começa com Joe Bell, um bartender que é amigo em comum tanto da Holly quanto do “Fred”, informando que tinha ouvido falar que ela estava no Quênia. Joe Bell, aliás, foi cortado do filme, o que pra mim é uma pena, porque ele é um personagem intrigante, e de certa forma emblemático da história – ele é o dono/bartender de um bar perto do prédio onde os personagens moram, e é completamente apaixonado/obcecado pela Holly. O fato dele nunca ter a esquecido, e continuar procurando saber o que aconteceu com ela, mesmo anos depois deles terem a visto pela última vez, mostra o quanto a Holly era única, e a impressão que ela deixava em todos os homens. Esse mistério é um dos elementos que, junto com o fato de ser uma história sobre a Holly, e não uma simples história de amor, é que torna o livro uma obra-prima da literatura, e o coloca em um patamar mais alto do que o filme (não me entendam mal, o filme também é maravilhoso, mas acho que, ao ser transformada em uma história de amor, a genialidade do enredo do Capote foi sem dúvida diminuída).

Enfim, apesar de eu ter passado minha resenha inteira fazendo comparações entre o filme e o livro, acho que eles devem ser vistos como duas coisas separadas hahaha Cada um é maravilhoso do seu jeito! E eu recomendo MUITO MUITO MUITO o livro, não só para quem é fã do filme, mas para todo mundo que curte boa literatura! Ele é um livro genial, mas curtinho e acessível, então não tem desculpa para não ler, hein? haha

Para terminar, deixo aqui outros links interessantes relacionados com o assunto:

  • Resenha que a Patricia Quartarollo fez sobre o mesmo livro para o Desafio, caso vocês queiram ler uma opinião diferente da minha hahaha
  • Parte 1 de um documentário maraaa (tá todo no Youtube) sobre o filme, com entrevista do diretor, dos atores, e tal.
  • Querem comprar a casa da Holly? Tá à venda aqui, pela pequena pechincha de 5,8 milhões de dólares.


desafiodotigreBonequinha de Luxo foi lido para o Desafio Literário do Tigre. Neste mês, o tema era Filme ou Livro?, e esse provavelmente vai ser o único livro lido do mês, porque março tá puxado, viu? hahaha

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4 comentários

  1. Eu gosto do filme (não sabia que Gossip Girls tinha feito alguma propaganda dele – e é que entendi direito o disclaimer no início do post, haha) e sempre tive certa vontade de ler algum livro do Capote. Parece bem interessante mesmo! E essa é uma das poucas e raras edições que eu acho lindo que a capa tenha a ver com o filme!

    1. Oi Thamires! Siiim, Gossip Girl (série e livros) faz propaganda! Bonequinha de Luxo é o filme favorito da Blair, e acho até que a série fez um episódio especial baseado nele (mas posso estar errada, nunca assisti). Se você quer começar a ler Capote, não tem melhor lugar pra começar! Beijo

  2. Vim por causa do #DLDoTigre 🙂 O “Bonequinha de LUxo” está na minha lista “Vou ler” há tanto tempo! E olha que eu tbm adoro o filme… acho que vou parar de enrolar e lê-lo de vez.. ainda mais agora, depois do seu post, fiquei curiosíssima… não sabia dessas “diferenças” existentes entre o livro e o filme.

    bjos

    Eliana

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