Porque você deve ter pena de quem é “Against YA”

Então, enquanto eu estava no Rio tirando fotos ruins de muros e me entupindo de Frappuccino, aparentemente uma senhora chamada Ruth Grathan escreveu um lindo artigo (pfvr notem a ironia) na revista Slater sobre… Bom, sobre como livros para jovens (os YA, de Young Adult) são uma bosta e nós adultos deveríamos ter vergonha de lê-los. Que YA retrata os adolescentes de uma forma acrítica e tem finais agradáveis para o leitor. Que não servem como literatura de verdade porque não colocam o leitor em uma posição de eterno desconforto. Blá blá blá.
think

Quis a vida de que eu fosse ler essa notícia logo depois de ter lido um post via Pinterest sobre 10 coisas que pessoas super confiantes fazem. E putz, a coisa ficou feia pra Dona Rutinha.

Porque dessas duas leituras, feitas em sequência enquanto eu esperava meu avião de volta, uma coisa ficou clara: dona Rutinha tem problemas. E não estou nem sequer me referindo ao fato de que em pleno século XXI essa moça achar que é ok sair por aí dizendo o que as pessoas devem fazer no seu tempo livre e basicamente cagando regra.

Lendo o texto dela, quis muito chegar pra ela e perguntar: “na boa, do que é que você tem medo?”. Essencialmente, o argumento dela no texto é que devemos ter vergonha de ler YA porque não é coisa para adultos e o que os outros vão pensar?. Segundo a dona Ruth, pega mal ler YA porque passa a mensagem errada: que não somos intelectualizados, que não sabemos/conseguimos ler livros “difíceis”.

Não vou entrar nessa discussão de quão ridícula é essa distinção entre “alta literatura” e o resto, até porque a Anna Vitória fez isso melhor do que eu jamais poderia fazer. O que eu queria explicar pra Dona Rutinha é que uma das dez coisas que as pessoas super confiantes fazem é não se importar com a opinião alheia.

 

Eu, óbvio, não sou super confiante. Aliás, mal e mal posso me considerar confiante. Mas na área de leitura eu me garanto. Eu SEI que hoje sou uma pessoa adulta, capaz de ler livros “difíceis”, entendê-los e apreciá-los. Não pela comparação com os outros, algo que nunca é saudável, mas sim pelo fato de poder olhar pra trás e ver que evoluí. Com 10 anos eu recém me aventurava nos livros sem figura (alô Harry Potter), então o fato de hoje eu conseguir ler algo como A Condição Pós-Moderna de boas certamente é uma vitória. Mas não dá pra ser uma pessoa culta e distinta 24/7, então continuo apreciando YA com tanto ardor quanto tinha quando era adolescente. E foda-se os outros.

Assim, minha mensagem para a Ruth é:
“Querida, let it go. Permita-se gostar de YA – um gênero literário que, como qq outro, tem livros incríveis e outras histórias q n valem nem o papel em que foram impressos. Leia John Green. Leia 50 Tons de Cinza. Leia A Galinha Pintadinha. E acredite em mim qndo te digo que ler isso não te faz menor do que quem lê Proust. Uma coisa não exclui a outra. Ame a literatura, e permita não só que ela te ensine, mas tb que te console qndo tu tiver tido um dia ruim e te dê esperança quando estiver desmotivada. O mundo é belo e a vida é muito curta pra gente ficar se preocupando com o que os outros vão pensar. Ah, e pfvr, n escreva mais artigos assim. Eles não afetam quem realmente importa, e só depõem contra ti. Um beijo, Maria Fernanda.”
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