#DLdoTigre

Nick Hornby can’t do no wrong ( ou “Books, Movies, Rhythm, Blues “)

Books-US-350x520Bom, queria começar dizendo que, como eu anunciei na minha última resenha para o #DLdoTigre, a minha ideia era ler Housekeeping vs The Dirt, o segundo livro da série de compilações das colunas do Nick Hornby para a Believer, mas não rolou por razões de: amazon não tem ele em ebook (SHAME ON YOU AMAZON!). Daí acabei escolhendo esse outro, Books, Movies, Rhythm, Blues: Twenty Years of Writing About Film, Music and Books, que também é maravilhoso.

Nick Hornby é uma autoridade em cultura pop, gente. Descobri isso lendo Alta Fidelidade (minha pobre cópia de tanto que foi lida está quase se desfazendo, coitada), confirmei isso em 23 Songs (editado como Songbook nos Estados Unidos) e em Juliet, Naked. E a própria existência da série Stuff I’ve Been Reading (a coluna dele na Believer) já serve para referenciar seu conhecimento literário. Nick Hornby é apenas quatro anos mais novo que a minha mãe, mas queria muito que ele fosse meu lifestyle coach, porque ele é incrível e provavelmente mais cool do que qualquer outra pessoa que eu conheço. Tudo o que ele diz que é bom vou correndo procurar porque esse homem CAN’T DO NO WRONG.

E, se ler um livro de um autor favorito é reencontrar um velho amigo, ler esse livro do Hornby foi como entrar na Livraria Cultura com aquele amigo culto que te passa as melhores playlists e sabe quais os melhores livros para ler. Uma das coisas que eu mais gosto nele é como ele é capaz de misturar cultura pop com cultura erudita – tipo John Le Carré e Dickens, Nelly Furtado e Bob Dylan. E isso fica super claro nos temas que ele resolveu abordar nesse livro – que, aliás, é uma compilação de várias coisas que ele escreveu sobre os assuntos do título para diferentes lugares, como o folheto da exibição comemorativa dos 50 anos de Abbey Road e um texto sobre uma exposição fotográfica sobre abuso doméstico.

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Alguns textos, é claro, foram feitos para – e provavelmente só poderão ser de fato entendidos completamente por – o público britânico. Mas mesmo nesses casos você não sente vontade de largar o livro. No máximo, quer pular algumas páginas. E mesmo esses textos são recheados de insights incríveis sobre a vida, o universo e tudo o mais. E tudo isso sem nunca ser pedante – Nick tem um humor super auto-depreciativo que impede que ele soe arrogante mesmo quando está discutindo sobre o mais erudito dos assuntos. E quando o assunto é legal (como quando ele fala dos Beatles ou naqueles dois textos sobre aquele filme maraaa que ele foi roteirista, Educação), então não tem para ninguém!

Então leiaaam gente!!! Não consigo pensar em mais coisas positivas para dizer a respeito de Nick Hornby, a não ser que ele é maravilhoso e espero que ele viva para sempre, para que a gente tenha ainda muitos e muitos livros iguais a esse! Baixem esse ebook, tem na Amazon por menos de R$7,00 – menos que um Big Mac, então não tem desculpa genteeee!!

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Ah, e fiz uma playlist com praticamente todas as músicas que ele menciona no livro (algumas eu não consegui achar :/) obg de nada!

O Chamado do Cuco

Em primeiro lugar, preciso dizer que ler um novo livro de um autor favorito é como encontrar aquele amigo querido que você conhece de toda a vida. No caso do Chamado do Cuco (Robert Gibraltar é na verdade um pseudônimo da JK Rowling, para quem não sabe), foi meio como encontrar aquela amiga que no colégio era super party girl sendo uma dona-de-casa com marido, dois filhos e uma casinha de cerca branca: a mesma pessoa, mas em um momento completamente diferente.

O história começa com a morte da uber-model Lula Laundry, que cai da sacada de seu apartamento em uma noite de inverno, sob condições auspiciosas. A polícia diz que foi suicídio, porque Lula era bipolar e já tinha se envolvido com drogas. Mas o irmão dela não parece muito convencido e, três meses depois do fim da investigação, vai procurar o detetive particular Cormoran Strike.

Strike é um veterano de guerra que perdeu uma perna no Afeganistão e tá numa m. desgraçada – a mulher acabou de expulsá-lo de casa e os negócios não vão bem. Daí, quando o irmão da Lula aparece com essa proposta, ele aceita, porque precisa do dinheiro. E daí a história se desenrola como um bom suspense policial, em que nem tudo é o que parece.

Ao contrário de Morte Súbita, que eu achei chato e enrolado, O Chamado do Cuco não tem um minuto parado. É um excelente suspense policial, e a história te prende como nos bons e velhos tempos de HP. Também como HP, a história tem personagens diferentes e bem construídos – não tem como não gostar do Strike e da Robin, sua assistente e fiel escudeira. Mas as semelhanças param por aí, o que não diminui em nada a história. Kuddos para a JK por ter inserido Londres na história, quase como se a cidade fosse mais um personagem.

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O Chamado do Cuco é um daqueles livros que você não consegue largar até terminar, mas ao mesmo tempo, não quer que termine. Fiquei feliz-de-dar-pulinhos-pela-sala quando vi que já tá saindo continuação – sai lá na terrinha agora em junho, se não me engano. Já dá para ler alguns trechos iniciais (em inglês) aqui. E pelo que eu li, já fiquei super na expectativa!!


 

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Li O Chamado do Cuco para o Desafio Literário do Tigre. No mês de Junho, o tema era Autores Queridos, e eu quis começar por esse da JK. Vou ver se consigo ler mais um esse mês – Housekeeping vs. the Dirt, do Nick Hornby, que também entrou na minha lista de livros para ler em 2014 (que aliás, tá uma vergonha, só li o The Tiger até agora e já estamos no meio do ano haha)

 

The Tiger

Aeeee consegui!!! Juro por Deus que achei que esse mês não ia rolar resenha pro Desafio do Tigre, mas enfim, deu tudo certo e aqui estamos!

No mês de maio, o tema era Bichos!, e na hora que eu vi esse tema pensei em The Tiger do John Valliant porque já estava na minha lista de livros para ler em 2014 e o Ryan Holiday (cuja opinião respeito muito porque ele lê MUITA COISA gente, tipo uns 100 livros por ano #what).
The Tiger conta a história de um tigre Amur que come um ser humano, fica meio psycho e começa a aterrorizar as pessoas de uma vilinha da Sibéria. Bem tipo aquele filme do Michael Douglas, A Sombra e a Escuridão, só que na Sibéria.
Diz a resenha:
É Dezembro de 1997, e um tigre comedor de homens está à solta ao redor de uma vila remota no Leste da Rússia. O tigre não está só matando pessoas, está as aniquilando, e um time de homens e seus cachorros precisam caçá-lo a pé na floresta em um frio brutal. Conforme os rastreadores esquadrinham os restos mortais das vítimas, eles descobrem que esses ataques não são aleatórios: o tigre está aparentemente buscando vingança. Machucado, com fome, e extremamente perigoso, o tigre deve ser achado antes que ataque mais uma vez.
Achei que a história daria um suspense incrível, daquele tipo que você não consegue largar até terminar, mas não foi bem isso que aconteceu. Porque o John Valliant tem um jeito inusitado de contar as histórias, uma coisa meio reportagem jornalística, meio documentário. Assim, ele entremeia a história do tigre, do Markov (o coitado que foi comido) e do Yuri Trush (o coitado que tem que achar o tigre) com informações sobre Primorye (a região da Rússia onde a história acontece), sobre os russos, sobre a vida na taiga, sobre animais como o tigre, etc.

Por um lado, isso torna a história bem mais rica – afinal, a Rússia é um país sobre o qual a maioria de nós não sabe porcaria nenhuma. E os tigres Amur são animais super complexos, dotados de um nível de inteligência acima da média. Eu, que sou louca por esse tipo de informação (e frequentemente leio ~livros-texto~ como forma de entretenimento) adorei tudo isso, e fiquei super impressionada com as reflexões que o autor te leva a fazer. Um exemplo: na natureza existe uma espécie única de equilíbrio, que permitiu que por anos os povos indígenas da Rússia (que não, não são os russos) convivessem em perfeita paz com os tigres Amur. O segredo? Respeito mútuo.

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tigres Amur são fofinhos, né? #sóquenão

Apesar de algumas dessas reflexões serem realmente necessárias, para você poder entender bem a história, por outro lado elas quebram o ritmo da narrativa e meio que… bem, meio que destroem o suspense. E foi por isso que eu demorei tanto para ler esse livro. Ao invés do suspense cheio de ação que eu estava esperando, recebi um livro ríquissimo, tão cheio de informações que não dá para ler tudo em uma sentada só.

All in all, The Tiger é um livro sobre animais, sobre a natureza e sobre nossa relação com seres que estão aqui há mais tempo que a gente, com os quais deveríamos ter um pouco mais de respeito. Com certeza esse livro vai fazer você ver o mundo natural de outra maneira mas, para um melhor aproveitamento, recomendo você ir lendo aos pouquinhos.

ps.: procurando por informações sobre esse livro para complementar esse post, descobri que na verdade, The Tiger não é ficção, mas sim uma história real, e foi baseado no premiado documentário Conflict Tigerde Sasha Snow. Só por esse trecho já fiquei louca pra ver!


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The Tiger foi meu livro de Maio para o Desafio Literário do Tigre, cujo tema era Bichos!. Para Junho, o tema é Autores Favoritos, e eu já comecei minhas leituras, me aguardem!

Bonequinha de Luxo

Primeiro, preciso começar o post esclarecendo que sou fã da Audrey Hepburn há muitos anos e que Bonequinha de Luxo já era um dos meus filmes favoritos muito antes dessa bobagem toda com Gossip Girl. É sério – eu tinha My Fair Lady e Guerra e Paz em fita, e eram um dos filmes mais cotados aqui em casa, junto com Branca de Neve e a Bela Adormecida fui uma criança romântica, ok

Dito isso, preciso confessar que, apesar de ter visto Bonequinha de Luxo tantas vezes a ponto de saber as falas de cor, eu nunca tinha lido o livro do Capote que inspirou o filme. Então, quando vi que o desafio de março no Desafio Literário do Tigre era Filme ou Livro?, achei que era o momento.

Diz a sinopse:

Em Bonequinha de Luxo, novela de 1958, escrita com mão levíssima, o escritor norte-americano Truman Capote acompanha as estrepolias de Holly Golightly, a jovem que escapa da vida besta do interior para tentar a sorte na Nova York dos anos da Segunda Guerra. Moça de hábitos e horários nada ortodoxos, Holly põe em polvorosa uma galeria de personagens que vai de um mafioso preso a um escritor inédito, passando por um fotógrafo japonês, uma modelo gaga e uma cantora rouca – para não falar de um certo diplomata brasileiro. Tudo isso sem abandonar a visão de uma vida de luxo, calma e volúpia, se possível bem longe do Texas e bem perto da joalheria Tiffany’s. Celebrizada nas telas de cinema por Audrey Hepburn no filme homônimo de Blake Edwards, Holly é uma das criações mais felizes de Capote, mistura inextricável de ninfa diáfana e moça roçuda, tão viva e sedutora hoje como quase meio século atrás.

Olha, fico muito feliz que escolhi ler um livro sobre um filme que eu amo tanto! Um dos maiores baratos de ler Bonequinha de Luxo foi ir identificando quais falas foram para o filme, o que mudou e o que continuou a mesma coisa.

Tanto o livro quanto o filme possuem uma delicadeza única! A personalidade única da Holly, uma coisa que a gente já percebe no filme, ganha contornos mais complexos no livro, já que a gente tem acesso a mais informações sobre o passado dela, como, por exemplo, a respeito do fato dela ter conseguido uma grande chance em Hollywood, mas na última hora ter largado para ir morar em Nova York, simplesmente porque ela sempre quis morar lá. A relação dela com o Doc é um pouco mais creepy no livro do que no filme: ela é praticamente uma criança quando eles se casam, e fica bem claro que eles têm, desde o ínicio, uma relação bem marido e mulher, se é que vocês me entendem. A Holly do livro, aliás, só tem 19 anos, o que torna tudo um pouco mais triste – caso vocês não saibam, a Holly, tanto no livro quanto no filme, é uma prosti de luxo, embora essa informação sempre fique subentendida.

O livro é contado por um aspirante à escritor que vai morar no apartamento de cima do da Holly. No filme, o nome dele é Paul Varjak, e ele já tem um livro publicado, enquanto no livro o nome real dele nunca é mencionado (ele é chamado de Fred pela Holly, pela semelhança com o irmão dela), e ele só consegue, ao longo da história, uma pequena publicação em uma revista acadêmica. Outra diferença é que no filme ele é sustentado por uma mulher casada, que decora o apartamento dele e é chamada de 2-E – no livro, ele luta para se sustentar sozinho, tendo inclusive um emprego bem convencional (e chato). Ambos também se passam em épocas diferentes: o filme é ambientado nos anos 1960, enquanto o livro se passa durante a 2ª Guerra Mundial.

Pra mim, a grande diferença entre o livro e o filme é que o livro é uma história sobre a Holly, e no filme isso é transformado em uma história de amor. No conto do Capote, o narrador e a Holly nunca foram amantes, e muito menos acabam juntos. O que acontece com a Holly, aliás, é um mistério: a última vez que o narrador ouve falar dela, ela, que tinha vindo ao Brasil caçar um marido rico, está em Buenos Aires. O livro começa com Joe Bell, um bartender que é amigo em comum tanto da Holly quanto do “Fred”, informando que tinha ouvido falar que ela estava no Quênia. Joe Bell, aliás, foi cortado do filme, o que pra mim é uma pena, porque ele é um personagem intrigante, e de certa forma emblemático da história – ele é o dono/bartender de um bar perto do prédio onde os personagens moram, e é completamente apaixonado/obcecado pela Holly. O fato dele nunca ter a esquecido, e continuar procurando saber o que aconteceu com ela, mesmo anos depois deles terem a visto pela última vez, mostra o quanto a Holly era única, e a impressão que ela deixava em todos os homens. Esse mistério é um dos elementos que, junto com o fato de ser uma história sobre a Holly, e não uma simples história de amor, é que torna o livro uma obra-prima da literatura, e o coloca em um patamar mais alto do que o filme (não me entendam mal, o filme também é maravilhoso, mas acho que, ao ser transformada em uma história de amor, a genialidade do enredo do Capote foi sem dúvida diminuída).

Enfim, apesar de eu ter passado minha resenha inteira fazendo comparações entre o filme e o livro, acho que eles devem ser vistos como duas coisas separadas hahaha Cada um é maravilhoso do seu jeito! E eu recomendo MUITO MUITO MUITO o livro, não só para quem é fã do filme, mas para todo mundo que curte boa literatura! Ele é um livro genial, mas curtinho e acessível, então não tem desculpa para não ler, hein? haha

Para terminar, deixo aqui outros links interessantes relacionados com o assunto:

  • Resenha que a Patricia Quartarollo fez sobre o mesmo livro para o Desafio, caso vocês queiram ler uma opinião diferente da minha hahaha
  • Parte 1 de um documentário maraaa (tá todo no Youtube) sobre o filme, com entrevista do diretor, dos atores, e tal.
  • Querem comprar a casa da Holly? Tá à venda aqui, pela pequena pechincha de 5,8 milhões de dólares.


desafiodotigreBonequinha de Luxo foi lido para o Desafio Literário do Tigre. Neste mês, o tema era Filme ou Livro?, e esse provavelmente vai ser o único livro lido do mês, porque março tá puxado, viu? hahaha

It’s Kind of a Funny Story

A capa que eu me refiro é essa, e não a capa que fizeram com o poster do livro.

Mais um livro super fofo que eu tive a sorte de descobrir escolhendo apenas pela capa! It’s kind of a funny story se parece muito com As Vantagens de Ser Invisível – Craig, o narrador, também é tímido/depressivo, apaixonado por uma garota inalcancável, etc. Não quero entregar muito da sinopse para dar a chance de quem não leu também escolher pela capa, mas achei It’s kind of a funny story mais profundo que Vantagens, talvez porque parte da história se passe em um hospital psiquiátrico.

Diz a sinopse:

A humorous account of a New York City teenager’s battle with depression and his time spent in a psychiatric hospital…

Goodreads se superando nas sinopses hahaha Mas hey, 8 mil pessoas votaram nesse livro como Best Teen Books About Real Problems!

Eu queria muito conseguir fazer uma review decente desse livro, porque ele é muito bom, tem lições importantes, mas, principalmente, é leve de ler. O enredo é super bem amarrado e os personagens são todos reais e multifacetados. Aliás, estava procurando mais informações sobre esse livro para escrever aqui, e descobri que o autor se matou no finzinho do ano passado, o que é incrivelmente triste, dado o fato de It’s kind of a funny story tratar de suicídio e como lidar com depressão. Então, imagino que parte do livro seja autobiográfica, porque o autor também lidava com depressão, e talvez seja por isso que esse livro é tão crível e realista. Um dos grandes trunfos desse livro, pelo menos para mim, é que ele consegue pegar um tema pesado como esse e tratar de uma forma leve, divertida e sensível.

Eu não sei se o livro foi lançado no Brasil ainda (alooou editoras, o que vocês estão esperando?) mas já saiu uma adaptação para o cinema, com o Zach Gahsjdiajfhdk (o Alan de Se Beber Não Case) e a Emma Roberts, sob o título babaca de Se Enlouquecer Não Se Apaixone:

 

O filme é bomzinho, mas acho que funciona melhor se você ler o livro primeiro – é mais um daqueles casos de “o livro é melhor” etc, mas vale por motivos de: Alan.

Enfim, recomendo tudo!


It’s kind of a funny story foi lido para o Desafio Literário do Tigre. No mês de Fevereiro, o tema era “Escolhendo pela Capa” e além desse livro eu li também Garoto de Ouro (tô superoverachiver haha). Em Março o tema é “Filme ou Livro?” e eu vou ler Bonequinha de Luxo, do Capote, me aguardem!

Garoto de Ouro – Abigail Tarttelin

Já vou avisando: esse livro não é para as pessoas de coração fraco. Depois de uma super micro introdução, só para te situar no tempo e espaço, a autora já começa a história com uma cena pesada de estupro. Como um tapa na cara do leitor que se deixou enganar pela capa fofinha e colorida (eu).

A boa notícia é que, se eu queria sair da minha zona de conforto literária, com esse livro definitivamente consegui.

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Esse é a capa da edição brasileira. A capa da edição americana também é bem fofinha.


Diz a sinopse:

A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo.

Menino de Ouro me lembrou MUITO Morte Súbita. As similaridades: ambos se passam em pequenas cidades da Inglaterra, mudam de ponto de vista a cada capítulo, os personagens tem uma “vida interna” muito diferente do que apresentam para o mundo. A principal diferença é Abigail, apesar de ter seus méritos próprios, não é nenhuma J.K. Rowling – o que, de certo modo, é até uma coisa boa, já que Menino de Ouro acaba sendo muito mais “palatável” do que Morte Súbita. É como se um fosse a versão simplificada do outro, sabe?

A segunda coisa sobre esse livro é que é muito difícil resenhá-lo, e se eu não tivesse lido ele para o Desafio do Tigre, certamente só iria recomendá-lo e não falar nada sobre ele. Aliás, acho que sei sorte em ter escolhido Menino de Ouro pela capa, sem ler orelha, resenha, nada, porque esse é um daqueles livros que, se fosse uma piscina, o melhor seria fechar os olhos e pular dentro, sem saber se a água ta limpa ou se você vai dar pé.

A terceira coisa é que esse livro é PESADO. Não a linguagem, que é superfluida e fácil de ler, e não cansa. Mas os temas que ele trata são complicados. E os personagens (todos, inclusive a Karen, a quem eu odiei um pouco em alguns momentos) são, sei lá, apegáveis, que você se apega e acaba passando junto por todas as sensações que eles estão passando, o que acaba sendo meio exaustivo, quando você finalmente consegue, por conta de alguma força maior, tirar a cabeça de dentro do livro e fechá-lo.

Por fim, para terminar essa resenha super longa onde eu falei, falei e não disse nada, é que, apesar de tudo, esse é um dos livros mais lindos que eu li nos últimos tempos. A Abigail Tarttelin trata de temas bem complexos de forma bem sensível, e eu não sei mais o que dizer a não ser que eu RECOMENDO RECOMENDO RECOMENDO!!


desafiodotigreMenino de Ouro foi lido para o Desafio Literário do Tigre. Neste mês, o desafio era escolher um livro pela capa. Além desse livro, vou tentar ler também It’s Kind of a Funny Story, do Ned Vizzini, mas não garanto que vou conseguir terminar a tempo.

Para Sempre ou Nunca Mais

Aeee finalmenteee!!! Juro pra vocês que eu achei que não ia conseguir terminar de ler esse livro esse mês ainda – e olha que ele só tem 171 páginas! Tive que dar aquela forçada de barra, carregando o livro para tudo que é lado, mas consegui terminar.
Diz a sinopse:

Philip Marlowe está sendo pago para seguir uma ruiva um tanto melancólica chamada Eleanor King. Ou seria o seu nome verdadeiro Betty Mayfield? Ou a sra. Kinsolving? E qual a conexão entre ela e o homem cujo poderoso e perturbador cruzado de direita Marlowe tem o desprazer de experimentar? Mesmo em uma aprazível cidadezinha como Esmeralda, não faltam detetives particulares, tiras e demais intrometidos para dificultar a solução de um caso – e não tardará até que o incontornável senso de justiça de Marlowe o coloque mais uma vez em apuros. Ao menos, a confusão toda envolve uma loira de olhar provocante e com um longuíssimo par de pernas…

Não sei nem por onde começar a falar desse livro, para ser bem sincera. É pra ser um romance policial noir, e essa foi uma das razões pelas quais eu achei que esse livro ia ser uma leitura fácil, rápida e divertida. Ledo engano.

Segundo a Wikipédia, o noir é um gênero do romance policial em que “(…) os detetives nesse tipo de história, costumam beber, brigar, se envolver em romances e sexo. Também existem outras tramas paralelas (…)“. Aparentemente, Raymond Chandler é um dos grandes expoentes do gênero, e dá para entender porque, já que todos esses elementos estão na trama, que é toda contada a partir do ponto de vista do Philip Marlowe, um detetive particular que é contratado para seguir uma ruiva por metade dos EUA.

Philip Marlowe é razoavelmente simpático – não morri de amores por ele, não me apeguei a ponto de torcer por ele na trama, mas gostei o suficiente para acompanhá-lo por suas aventuras. Como detetive, ele é tipo um primo pobre do James Bond – mesma pose, cenários menos glamurosos –  o que eu achei divertido e mais verossímil.

O meu maior problema é que eu simplesmente detestei Eleanor King/Betty Manfield. De cara, achei ela uma chata insuportável que só fica de mimimi o livro inteiro e por mim o Philip Marlowe poderia ter deixado ela para ser atropelada por um trem na Grand Central Station logo no primeiro capítulo. Como consequência, a história dela não me interessou nem um pouco – só que ela é o pivô na história, com todos acontecimentos importantes girando em volta dela e dos segredos que ela esconde.

Talvez tenha sido minha antipatia com a Betty e minha indisposição de descobrir mais sobre ela que tenham tornado o livro tão chato para mim – mas o fato é que eu também não gostei da maneira como o mistério do romance se revela. Ou não se revela, no caso. Explicando melhor: Philip Marlowe – e o leitor – passa o livro inteiro agindo no escuro, sem saber da história a metade. O que é IRRITANTE ao extremo, considerando que eu não tinha o menor saco de querer descobrir as coisas por conta própria (mas se você curte fazer isso, recomendo esse livro, porque o Chandler é o tipo de escritor que não te dá nada já mastigadinho).

Enfim, resumindo: tem mérito literário (é bem escrito, a trama é razoavelmente bem amarrada e tal), mas eu não gostei. Acho que a questão toda é se você curte os personagens ou não – quem curtir vai poder aproveitar esse livro muito mais do que eu.


desafiodotigreE esse foi meu primeiro livro lido para o Desafio Literário do Tigre! Janeiro foi o primeiro mês, com o tema Na Estante, e eu escolhi Para Sempre ou Nunca Mais porque tava parado na minha estante desde agosto de 2012! Para fevereiro, o tema é Julgando pela Capa, mas eu ainda não escolhi que livro vou ler hahaha