Português, coisas fora de lugar e dedos na ferida

Eu odeio português.
E odeio linguística com ainda mais força.

Tenho certeza que em algum momento vou achar interessante a relação entre língua e poder, etc., mas até agora esse momento ainda não ocorreu. Quero dizer, sou uma escorpiana com Mercúrio, Marte e Plutão em Escorpião, o que mais ou menos significa que fascinação pelo poder é meu nome do meio (sério, há boatos que Maquiavel tinha um mapa astral parecido com o meu), então sinto que o assunto deveria ter um certo appeal para mim.

E eu sei que minha professora de português/redação tá toda animada aqui discutindo as diferenças entre língua, linguagem e fala – o que por si só deveria ser algo interessante, já que ela é super blasé sobre TUDO – mas assim, who cares.

No livro “Trecos, Troços e Coisas”, o Daniel Miller fala mais ou menos que a beleza dos objetos é que eles influenciam a gente sem que a gente perceba, mais ou menos como uma moldura em relação à obra de arte que ela está emoldurando. Quando as coisas estão funcionando certinho (quando a moldura é certa), você não nota que elas estão lá. Você só vai notar quando as coisas param de funcionar do jeito que deveriam – você só vai reparar a estampa da cortina da sala quando ela cair na sua cabeça. Acho que com a língua deveria ser a mesma coisa.

Logo, na minha cabeça, ter que discutir a língua em si é sinal de que estou errando na hora de escrever – eu já mencionei que tenho Mercúrio em escorpião? Pois então, nós, pessoas-com-Mercúrio-em-escorpião, odiamos sentir que estamos errando, porque somos perfeccionistas. Tá entendendo o drama? Logo, pra mim, estudar português é um processo gigante de enfiar o dedo na ferida (metafórica), puxando sempre a casquinha para que ela nunca cicatrize. Olhar para uma gramática já me dói o estômago. Abri-la e fazer exercícios nela é tipo o Harry Potter escrevendo no diário do Riddle – vai me sugando a vontade de viver.

E daí eu fico ressuscitando blogs quase mortos para poder reclamar na vida numa boa. Ninguém lê essas reclamações, mas eu continuou escrevendo, por que o que mais eu vou fazer? (perdendo tempo que poderia ser usado para, sei lá, ler um texto sobre linguística, que é o que a minha professora de português certamente desejaria que eu estivesse fazendo).

Ninguém ganha quando eu sou obrigada a estudar Português.
Ninguém.

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